sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Revisão Continente Asiático 3⁰ bimestre 9⁰ ano

Revisão: Continente Asiático

A Ásia é o continente mais populoso do planeta, concentrando mais da metade da população mundial, com destaque para China e Índia, que juntas ultrapassam 2,8 bilhões de habitantes. Quando analisamos a distribuição da população global por meio de uma anamorfose geográfica, que é um tipo de representação cartográfica em que a área dos países é distorcida conforme uma variável temática, como a população, observamos que os países muito populosos aparecem com áreas ampliadas em relação aos mapas políticos tradicionais, enquanto regiões com grandes territórios, mas pouca gente, aparecem visualmente reduzidas. Nesse tipo de mapa, China e Índia “crescem” muito, ao passo que áreas como a Rússia asiática, que tem enorme extensão territorial, mas baixíssima densidade demográfica, “encolhem”, pois o objetivo dessa representação é mostrar a distribuição da população, e não manter as áreas e formas idênticas às dos mapas políticos comuns.

O quadro natural e socioeconômico do Sul e Sudeste da Ásia é fortemente influenciado pelo regime de monções, um sistema de ventos sazonais que inverte direção conforme a época do ano. No verão, o continente aquece mais que o oceano, formando áreas de baixa pressão sobre a terra, o que faz os ventos úmidos soprarem do oceano para o continente, provocando chuvas intensas e prolongadas. No inverno, ocorre o inverso: o continente esfria mais que o oceano, invertendo a direção dos ventos, que passam a soprar do continente para o oceano, gerando uma estação mais seca. Essas chuvas de verão são fundamentais para o alagamento dos solos e para o cultivo do arroz, a rizicultura, que é base da alimentação de grande parte da população asiática. Em anos de monções fracas, há risco de seca e queda na produção agrícola; em anos de monções muito fortes, ocorrem enchentes e deslizamentos. Esse fenômeno afeta especialmente o Sul e o Sudeste da Ásia, e não as regiões subpolares da Sibéria, que têm clima frio e dinâmica atmosférica diferente.

No plano do relevo, a Cordilheira do Himalaia se destaca por abrigar as maiores altitudes do planeta, incluindo o Monte Everest, e por funcionar como um importante divisor de águas para grandes rios asiáticos. Sua formação está relacionada ao processo de orogênese, ou seja, à formação de montanhas provocada pelo encontro de placas tectônicas. A Placa Indiana, ou Indo-australiana, moveu-se em direção ao norte e colidiu com a Placa Euroasiática. Esse choque convergente entre as duas placas gerou um dobramento moderno, levantando as rochas e formando a cordilheira. O processo começou há cerca de 70 milhões de anos e se intensificou há aproximadamente 50 milhões de anos, quando a Índia, antes uma grande “ilha-continente”, passou a fazer parte do continente asiático. O Himalaia não se formou por afastamento de placas, por falhamento transformante entre placas do Pacífico e da América do Norte, nem por vulcanismo oceânico no Círculo de Fogo do Pacífico.

As fronteiras políticas atuais de diversas sub-regiões asiáticas guardam marcas profundas de transformações territoriais ocorridas ao longo do século XX, especialmente no contexto do colonialismo europeu. Muitas fronteiras do Sul da Ásia e do Oriente Médio foram definidas por potências como Reino Unido e França de forma artificial, em conferências e acordos, sem levar em conta a distribuição das etnias, tribos e grupos religiosos locais. Na partilha da Índia, em 1947, por exemplo, a divisão entre Índia e Paquistão gerou deslocamentos em massa, violência e conflitos duradouros, como na região da Caxemira. No Oriente Médio, acordos como Sykes-Picot, de 1916, desenharam fronteiras que ignoraram realidades étnicas e sectárias, contribuindo para tensões entre árabes sunitas, xiitas, curdos e outros grupos. Essas fronteiras artificiais são um dos principais fatores históricos por trás de conflitos étnico-religiosos e de indefinições territoriais nessas regiões.

A partir de 1978, a China iniciou um amplo processo de reformas econômicas sob a liderança de Deng Xiaoping, conhecido como programa de “Reforma e Abertura”. O elemento central desse processo foi a criação das Zonas Econômicas Especiais, as ZEEs, localizadas principalmente no litoral sudeste do país, em províncias como Guangdong e Fujian, com cidades como Shenzhen, Zhuhai, Shantou e Xiamen. Nessas zonas, o governo oferecia incentivos fiscais, legislação especial, simplificação burocrática e mão de obra barata para atrair empresas multinacionais. Essa estratégia foi fundamental para inserir a China no mercado global, acelerar sua industrialização e transformar o país em uma grande potência exportadora. O modelo não proibiu a entrada de capitais estrangeiros, nem desativou portos marítimos; pelo contrário, fortaleceu a indústria e utilizou o litoral como porta de entrada para o comércio mundial.

Na mesma linha de industrialização acelerada, os chamados Tigres Asiáticos — Coreia do Sul, Hong Kong, Taiwan e Cingapura — apresentaram crescimento econômico acelerado a partir da segunda metade do século XX. Esses territórios adotaram um modelo de desenvolvimento conhecido como IOE, ou Industrialização Orientada para a Exportação. Nesse modelo, a produção industrial era voltada principalmente para o mercado externo, com forte ênfase em produtos manufaturados competitivos internacionalmente. Houve também altos investimentos estatais em educação, infraestrutura, tecnologia e formação de mão de obra qualificada, combinando atração de capital estrangeiro com desenvolvimento de empresas locais. Esse processo não se baseou em economia de subsistência agrícola, extrativismo mineral, exportação de combustíveis fósseis ou isolamento comercial.

A matriz energética da China e da Índia representa um desafio crítico para as metas globais de mitigação das mudanças climáticas devido à forte dependência de carvão mineral. Na China, o carvão representa uma parcela muito elevada da produção de eletricidade, tornando o país um dos maiores emissores mundiais de dióxido de carbono. A Índia também depende fortemente do carvão para abastecer indústrias e usinas termelétricas, o que eleva suas emissões de gases de efeito estufa. O carvão mineral é uma das fontes fósseis mais poluidoras, pois libera grandes quantidades de carbono e outros poluentes na atmosfera. Essa dependência dificulta o cumprimento de acordos climáticos internacionais, mesmo com investimentos crescentes em energias renováveis.

No Sudeste Asiático, especialmente na Indonésia e na Malásia, grandes extensões de floresta tropical vêm sendo substituídas por monoculturas de exportação, com destaque para o cultivo de palma, também chamado de dendê, destinado à produção de óleo de palma. Esse processo gera perda severa de biodiversidade, com destruição de habitats de espécies ameaçadas, como orangotangos, tigres-de-sumatra, elefantes e rinocerontes. Além disso, provoca desmatamento em larga escala, aumento das emissões de gases de efeito estufa, principalmente quando há queimadas e drenagem de turfeiras, e conflitos fundiários com populações indígenas e tradicionais, que perdem territórios para as plantações. A expansão do óleo de palma está, portanto, associada a graves impactos ambientais e sociais.

No plano geopolítico, o Mar do Sul da China é palco de crescentes disputas territoriais e marítimas envolvendo a China e diversos países vizinhos, como Vietnã, Filipinas, Malásia, Brunei e Taiwan. A importância estratégica dessa área está relacionada às rotas marítimas comerciais vitais, por onde circula cerca de um terço do comércio marítimo global e grande parte do petróleo e gás que abastece a Ásia. Estreitos como o de Málaca funcionam como passagens cruciais entre os oceanos Pacífico e Índico. A região também possui potenciais reservas de petróleo e gás natural, o que atrai o interesse de vários países. A China reforça suas reivindicações com a chamada “linha dos nove traços”, que abrange quase todo o mar, mas outros países contestam essa demarcação com base na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

Por fim, no campo da cooperação e integração, destacam-se a ASEAN e os BRICS, dois importantes mecanismos que envolvem países asiáticos, mas atuam em escalas e com objetivos diferentes. A ASEAN, ou Associação de Nações do Sudeste Asiático, é um bloco regional que reúne países como Indonésia, Tailândia, Vietnã, Filipinas, Malásia e Cingapura, entre outros. Seu foco é a integração econômica, política e de segurança regional, promovendo livre comércio, cooperação em infraestrutura, diálogo político e ações conjuntas em temas como meio ambiente e combate ao crime organizado.

Os BRICS são um grupo formado inicialmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, com a posterior inclusão de outros países. O grupo reúne grandes economias emergentes do Sul Global e busca ampliar a cooperação multilateral em temas como comércio internacional, finanças, reforma da governança global, desenvolvimento sustentável e criação de instituições financeiras próprias, como o Novo Banco de Desenvolvimento. Enquanto a ASEAN atua como bloco regional do Sudeste Asiático, os BRICS funcionam como um mecanismo de cooperação entre grandes economias emergentes de diferentes continentes.

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